quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Monge e o Abismo



Aqui vai uma história que gosto de passar para os alunos, principalmente durante treinamentos mais difíceis, com enfoque no equilíbrio e na concentração. Trata-se de uma verdadeira fonte de inspiração para aqueles que se sintam incapacitados de manter a serenidade em momentos conturbados da vida: 


O Monge e o Abismo

     
Tai Ping era um jovem e promissor monge que vivia no famoso mosteiro Shao Lin, situado em uma região montanhosa do interior da China, no início do século passado.
     Este local se caracterizou por ser o berço das artes marciais chinesas, e sua fama ganhou corpo ao longo do tempo, graças às muitas façanhas dos seus adeptos, todos eles monges budistas que conjugam treinamento diário rigoroso com devoção inabalável.
     Em uma bela manhã de primavera o rapaz, no vigor dos seus dezoito anos quase completos, saiu para treinar o seu “Tchi Kun” (sequência de exercícios para a saúde). Esse era um de seus muitos hábitos diários, mas mal poderia ele imaginar que estava partindo para uma experiência ímpar em sua existência.
     O termo “Shao Lin” significa local com pouca mata ou floresta e foi aplicado ao templo por se localizar numa área que além possuir apenas vegetação rasteira, é repleta de penhascos com enormes escarpas que, na maior parte das vezes dão a impressão de tocarem o céu. Neste cenário os praticantes do mosteiro têm, até os dias atuais, o hábito de escolherem pontos altos e remotos para as suas práticas. Isso proporciona privacidade, além de servir de teste para o condicionamento físico de cada um, ao enfrentarem caminhadas difíceis.
     Desta vez Tai Ping escolheu um de seus locais prediletos no alto de uma montanha circunvizinha ao templo, na borda de um despenhadeiro e com uma visão magnífica de toda a região. Tudo parecia estar perfeito, mas como reza um antigo ditado taoista, nada nunca está cem por cento perfeito. Quando todas as circunstâncias se direcionam para a perfeição é bom que se desconfie, pois o início da imperfeição pode já ter começado.
     Nesse contexto Tai Ping não havia percebido que estava sendo perseguido por Yie Tchá outro monge que se dizia muito seu amigo, mas que na verdade alimentava um sentimento de inveja por Tai Ping, sobretudo por seu ótimo desempenho nas artes marciais e pelos elogios que recebia dos grandes mestres a respeito da sua dedicação às práticas meditativas.
     Yie Tchá tinha muito cuidado para que ninguém percebesse esse sentimento, contudo não se continha em espionar Tai Ping para tentar adquirir algum segredo. Ele só não queria admitir que o maior segredo estivesse na mudança da sua própria conduta como ser humano, uma vez que era preguiçoso, egoísta e não poupava esforços para ludibriar seus colegas.
     No momento em que Tai Ping iniciou seus exercícios, Yie Tchá se acomodou bem discretamente atrás de uma pedra de proporções suficientes para esconder seu corpo e permitir uma observação clara e tranquila de seu companheiro de aprendizado, e foi nesse momento que escutou um estrondo vindo da direção de Tai Ping.
No mesmo instante viu o monge sumir de seu campo de visão para despencar pelo despenhadeiro, juntamente com um pedaço de terra batida e muitas pedras de médio porte.
Tai Ping teve a infelicidade de se posicionar em um local comprometido à beira do abismo, vindo a aumentar o abalo pré-existente no terreno onde se exercitava, principalmente quando pisou forte com um dos pés no solo (prática conhecida como enraizamento da energia nas artes marciais). O impacto provocou a ruptura daquele pedaço de terra, causando o deslisamento.
No mesmo instante, Yie Tchá se encheu de felicidade com a desgraça do companheiro, tomando o caminho do templo e não comunicando nada a ninguém. Em sua mente o ocorrido significava a eliminação de um rival que só lhe causava raiva. Como sempre era muito cuidadoso em suas traiçoeiras manobras, estava certo de que não houve qualquer testemunha da sua presença junto à Tai Ping naquele difícil momento, portanto poderia ocultar o fato sem medo de que fosse desmascarado.
Ele só não contava que Tai Ping havia conseguido se segurar em um pequeno arbusto que se projetava na parede escarpada, e que após muito desespero e agitação, se conscientizou que aquela atitude iria leva-lo à morte como se tivesse desbarrancado direto, junto com as pedras e a terra. É que o movimento agitado para se segurar e tentar gritar por socorro, além de drenar suas energias, estava provocando uma vibração excessiva na base do referido arbusto que associado ao peso do rapaz, fazia com que o mesmo começasse a perder aderência junto ao paredão com centenas de metros de altura.
Foi nesse momento que Tai Ping avistou uma borboleta pousando em um outro ponto da encosta, há alguns metros dele. A leveza e graça do inseto para se equilibrar em meio à forte corrente de ar, num ambiente tão hostil, fizeram o monge lembrar dos ensinamentos que recebera em suas aulas de interiorização. Veio então á sua mente as palavras de seu mestre Cao Shan: “Não há força maior do que a flexibilidade que cede e se adapta a qualquer circunstância. Seja sempre como o bambu que ao contrário de outras árvores robustas, tem a propriedade de se curvar e dificilmente de quebra com um vendaval.”
Imediatamente o jovem parou de espernear, buscou um estado meditativo e lentamente acalmou sua respiração. Mantendo-se pendurado ali por alguns minutos recobrou suas forças, estabilizou o referido arbusto e agilmente conseguiu, através da técnica do pêndulo, levar as pernas ao tronco onde se segurava, vindo em seguida a se posicionar sobre esse seu apoio. Qual não foi sua surpresa e horror ao vislumbrar a altura onde se encontrava!
No templo, ao anoitecer, todos perceberam a sua falta, porém ninguém se manifestou a respeito do seu paradeiro. Isso provocou uma frenética busca por Tai Ping logo ao clarear do dia seguinte.
Como a maioria dos monges conheciam bem os pontos prediletos para os treinamentos uns dos outros, não demorou a chegarem ao local do acidente e constatarem o desabamento. Os gritos por socorro, a corrida para o resgate com cordas e empenho para não se perder mais nenhum segundo, visto que outros desabamentos poderiam ocorrer, tudo isso foi uma questão de poucos minutos.
No final daquela manhã Tai Ping foi examinado pelo monge médico do templo que diagnosticou apenas algumas escoriações no jovem rapaz.
O ritmo das atividades foi lentamente voltando ao normal ainda nesse mesmo dia, porém duas almas em especial puderam, cada uma a seu modo, experimentar grandes aprendizados.
Para Yie Tchá ficou a lição de que suas condutas sombrias não iriam leva-lo muito longe quanto ao desenvolvimento espiritual, já para Tai Ping houve o nascimento de uma sensação de gratidão muito grande por seus mestres, além da consciência de que, mais do que qualquer atributo físico, foi mesmo a meditação que salvou a sua vida.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ano novo do Dragão de Água

Aqui estão algumas fotos que resumem as nossas atividades na entrada do ano novo chinês.













Orientações para o ano de Coelho de Metal - IV

PRÁTICAS
Treino de Visualização
Encontre um ambiente tranquilo, onde não haja possibilidade de ser interrompido. Fique em pé, mantendo o corpo relaxado com pernas e braços soltos, e siga os seguintes passos:
a) Mantendo uma respiração calma e profunda, imaginar na inspiração a luz do sol entrando nos pulmões e na expiração, a mesma luz solar saindo dos mesmos e, durante cada ciclo respiratório, uma iluminação total da caixa torácica. Pratique por 5 minutos e relaxe, visualizando-se em situações calmas já vividas;
b) Mantendo o trabalho sobre a respiração, imaginar agora na inspiração a luz do sol iluminando os braços e pernas, e na expiração a luz da lua saindo pelas extremidades dos dedos das mãos e dos pés (movimentando-os nesse instante). Pratique por mais 5 minutos e relaxe, visualizando-se em situações calmas que você gostaria de viver;
c) Ainda focando no ato respiratório, inspire e imagine a luz do sol subindo pela coluna, como se fosse o “mercúrio num termômetro”, iluminando até a cabeça, e expire com a luz da lua saindo pela ponta dos fios do cabelo ou apenas emanando pelo couro cabeludo, para o exterior da caixa craniana. Pratique por 5 minutos e deixe vir à mente qualquer imagem.
Efeitos: acalmar e direcionar a mente para a auto-observação, bem como equilibrar o Yin e Yang (lua e sol) pelo organismo.

Vídeo do Ano Novo Chinês em Londres

Vejam a apresentação dos leões chinês em Londres.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cerimônia do Dragão Chinês

Orientações para a Cerimônia do Dragão de Água

Olá pessoal, no dia 22 de janeiro vamos nos reunir na Zenaide  às 9 hs para reavivarmos nossas forças internas de carona na egrégora do Dragão de Água.
Cada participante deverá levar:
 Uma imagem de  dragão impresso ou desenhado em folha de papel A4 com o nome do participante;
.Uma vela branca;
.Procurar trajar roupa confortável, que permita liberdade de movimentos, preferencialmente nas cores azul, amarela e/ou preta. Aqueles que desejarem poderão usar imagens do Dragão em sua vestimenta;
.Protetor solar, boné, chapéu e repelente são sempre úteis;
.Um prato de comida preferencialmente vegetariana, ou bebida tipo suco de frutas.
Para maiores informações entrem em contato:
- tel: 9416.8773



Para relembrar o nosso Dragão