sábado, 16 de maio de 2009

Prática para fortificar o sistema respiratório

Na China é muito comum as pessoas procurarem cuidar da saúde fortalecendo estruturas orgânicas relacionadas às estações do ano que estão por vir, ou seja, cuidar de problemas pulmonares, típicos do inverno, na estação precedente (outono). Sugiro, para esse fim, uma prática que formulei e costumo passar para os alunos:

– Duração de um mês

Orientações gerais:

Durante o período em que se pretenda ativar a força do centro respiratório, precisa-se cuidar para a qualidade do ar que se respira.
Procure executar as práticas em ambientes com ar puro e circulante.
Se estiver em recinto fechado, ascenda um incenso antes ou durante a prática, não se utilize de ar condicionados e certifique-se de que o local esteja adequadamente isento do excesso de pó.

Nesse período é conveniente que se pingue 3 a 5 gotas de essência de eucalipto embaixo do travesseiro, ou mesmo no lençol, próximo à cabeça.

Evite consumo exagerado de leite e derivados. Se for difícil faze-lo, dê preferência aos yogurtes, ricotas ou queijo tipo Cottage. Se possível substitua-os por outras fontes de cálcio e proteína. O espinafre, o repolho e as amêndoas são ricos em Ca, já o abacate, juntamente com as leguminosas como a soja, lentilhas, feijões, etc, possuem muita proteína.

O centro respiratório tem relação direta com o Tan Tien Médio. Para se obter um resultado mais profundo, recomendo que o praticante execute Tai Chi Chuan e exercícios complementares, a fim de fortalecer o Tan Tien Inferior, pois este serve de base energética para todos os outros.

Prática para a 1ª semana (exercícios):

Sentar-se calmamente e massagear um ponto do meridiano denominado do Vaso Concepção, de nº 17, ou seja, VC 17. Ele se localiza no centro do peito, sobre o osso esterno, entre os dois mamilos. Use a ponta do dedo indicador ou médio. Caso haja insensibilidade no local, pode-se usar o dedo polegar para dar maior pressão (5 minutos)

Levantar-se e exercitar-se sem se esquecer de colocar as mãos no Tan Tien Médio (sempre a mão esquerda por baixo da direita), respirando três vezes e sentido os batimentos do coração, ao término de cada exercício.

Arquear as mãos (2º da seqüência do Lian Gong):
Este movimento sugere um espreguiçamento com abertura do peito e dos espaços internos. Os pés ficam afastados com um distanciamento relativo à largura dos ombros. Encolhe-se os dois braços conjuntamente, de forma que as mãos gradualmente vão se fechando (podem ficar ocas por dentro quando estiverem totalmente fechadas), sem tensão nos dedos ou na palma (abdução escápulo-umeral). As mãos irão se posicionar na altura dos respectivos ombros, com a parte anterior dos antebraços e consequentemente, das próprias mãos (palmas fechadas), se projetando para a frente do praticante.
A postura preservará uma perpendicularidade dos antebraços em relação ao chão e os punhos não terão flexão ou torção. Faz-se a abertura do peito até o limite pessoal, movimentando simultaneamente os dois membros superiores, fazendo a abertura horizontal da articulação.
Seqüencialmente, os braços retornam à posição frontal (adução horizontal). Nessa
Projeção, os antebraços inclinarão aproximadamente 45 graus, de modo a quase formarem um triângulo à frente do corpo.
As mãos se abrirão lentamente, mais ou menos na altura do pescoço do praticante, e desta vez a figura geométrica de um triângulo apontando para o alto, será bem definida. O vértice superior será formado pela ponta dos dedos indicadores e a lateral de base se formará pela junção dos polegares. Não há necessidade de tocar os dedos.
Os cotovelos devem, neste momento, serem mantidos baixos para que o “Tchi” se transporte para as extremidades das mãos. Os ombros necessitarão de relaxamento, pelo mesmo motivo.
Procurar atentar par o pescoço que torce acompanhando o movimento dos braços, para os ombros e para as escápulas, sendo que o olhar acompanha hora uma mão, hora a outra, fazendo a troca quando estas estiverem à frente do corpo.
Finalmente a respiração que será conectada ao ritmo dos braços, inspirando quando o peito se “abrir” e as mãos se fecharem, e expirando no momento da projeção frontal, podendo-se formar um bico com a boca para direcionar o jato de ar ao centro do triângulo citado (27 vezes para cada lado).

Rodar os ombros, tocando os mesmo com os dedos:
Com os pés na mesma posição, toca-se a ponta de todos os dedos das mãos, simultaneamente nos músculos deltóides (extremidades dos ombros) e executa-se giros laterais, tendo como ponto de referência os próprios cotovelos, sem destacar os dedos da musculatura. Nesse instante, pode-se deslizar os mesmos nesse local, conforme a abrangência do círculo. (girar 27 vezes, inverter o sentido, e girar mais 27 vezes)

Expandir o peito (4º da seqüência do Lian Gong):
Pés na largura dos ombros e braços soltos ao longo do tronco.
Sua conformação inicia-se esticando os braços para frente, num sentido diagonal direcionado ao centro do corpo em projeção frontal, tendo como ponto de cruzamento as próprias mãos.
As mãos, ao se aproximarem, dão mais uma vez, a idéia do triângulo, porém aqui, uma delas toca o dorso da outra e ambas vão subindo juntas com os braços esticados até o alto. Haverá um revezamento na mão que sobe por cima da outra, podendo ser esta a que merecerá o acompanhamento do olhar. O praticante também poderá optar por ter a referência na mão que sobe por baixo. O importante é determinar o critério e executar o revezamento do olhar, direcionando-o quando da descida dos braços, uma vez para cada lado, alternadamente, sempre acompanhando a mão escolhida.
A descida se caracterizará por uma “abertura” da caixa toráxica, uma vez que os braços realizarão um arco ou semi-círculo cada um, iniciando no alto, desconectando as mãos, e conjuntamente, cada membro em seu próprio lado, descendo com ligeira projeção anterior (para trás da linha do corpo). No nível dos ombros, as palmas fazem uma gradual e suave torção, passando a apontar de cima para baixo, com os polegares que se projetavam para trás, passando a apontar para frente.
O movimento se completa com a nova junção das mãos pouco abaixo do nível pélvico. Durante todo este exercício, os membros superiores se mantém eretos, contudo sem exageros. Diz-se que eles devem ser como galhos no alto de uma árvore. Quando firmes demonstram que a seiva circula bem e há saúde no organismo.
Tentar executar respiração reversa, ou seja, inspira-se encolhendo a barriga quando da subida dos braços e expira-se relaxando a barriga quando da descida dos mesmos. (27 vezes para cada lado)

Segurar as mãos nas costas:
Mantendo a mesma posição dos pés a pernas, suspender um dos braços, dobrando-o sobre o ombro, de forma que a mão toque a parte superior das costas. O outro braço se dobrará latero-anteriormente, de forma que sua respectiva mão alcançará a porção média das costas. Será na coluna dorsal que as mãos tentarão se tocar, formando uma linha diagonal, levando-se em conta os dois antebraços.
Não há necessidade de conseguir tocar as mãos logo nas primeiras vezes. É interessante dobrar o tempo de permanência para o lado que apresentar maior dificuldade no alongamento.
Deve-se cuidar para não inclinar o pescoço na tentativa da facilitar a manobra com o braço. (1 minuto para cada lado)

Sentar-se novamento e massagear o ponto VC 17 por 5 minutos.

Prática para a 2º semana (respiração natural):

Apoiar-se nos dois joelhos e nas duas mãos (ficar de “quatro”):

Olhar para baixo, encaixando o quadril e formando uma “corcunda”, soltando todo o ar. Em seguida olhar para o alto, arrebitando o quadril e formando nas costas, uma curva para baixo, inspirando ao máximo. (27 vezes cada inspiração e 27 vezes cada expiração)

Respiração natural:

mãos no tórax (Tan Tien Médio) respirar 27 vezes
mãos no abdomem ( Tan Tien Inferior) respirar mais 27 vezes
mão esquerda no tórax e direita no abdomem, inspirando e expandindo primeiro o abdomem e depois o tórax. Ao expirar, murchar primeiro o abdomem e depois o tórax. (fazer a respiração completa por 72 vezes)

Prática para a 3º semana (pranayama):

Tanto essa como todas as outras posições sentadas, devem ser realizadas sem encostar a coluna em apoios. Caso haja dificuldades para se posicionar no chão, procure se utilizar de um banquinho sem encosto.

Controle da respiração (ao pé da letra este termo seria chamado, pelos chineses de “tchi kun”. Pranayama é o termo hindu):
Mão esquerda tocada no pescoço para contagem da pulsação através do fluxo sanguíneo pelas artérias carótidas superficiais. Caso o praticante consiga perceber seu coração pulsando, ou qualquer outra parte do corpo, o que não é muito fácil, pode repousar a mão esquerda sobre a perna. É de suma importância que se padronize as contagens desta prática da pulsação, para que ocorra um envolvimento, bem como um reconhecimento de ritmos e sons do interior do organismo.
A mão direita vai pinçar o nariz, controlando a entrada e saída de ar pelas narinas.
As mulheres começam inalando pela narina esquerda, então prendem o ar e exalam pela narina direita. Em seguida executam o inverso, ou seja, inalam pela mesma narina direita, prendem o ar e exalam pela esquerda, completando o ciclo. ( fazer 18 ciclos)
Para cada etapa de inalação, retenção e exalação de ar, contar sete pulsações. Esse número pode aumentar ou diminuir conforme a possibilidade e o bom senso de cada um.
Os homens devem inverter o ciclo, começando, portanto, com a narina direita.

Operando com os 7 orifícios superiores:
Procurar se serenar em posição confortável, sempre com a coluna ereta, tomando consciência da pulsação por todo o corpo. (5 minutos)
Fazer inspiração, retenção e expiração contando de preferência sete tempos.
A retenção será feita tapando-se os 7 orifícios da cabeça, usando os dez dedos das mãos da seguinte forma:
A boca será bloqueada com uma espécie de prega nos lábios, que será feita
pelo par de dedos anular e mínimo, como se fosse uma tesoura. O par da mão direita se encaixa no canto labial direito e o da esquerda, no canto esquerdo.
As narinas serão pressionadas com os dedos médios.
Os olhos terão sobre si os indicadores.
Os ouvidos deverão ser tapados com os polegares.
Obs.: ouvidos e narinas devem ser manipulados antes dos outros orifícios, uma vez que permitem uma pressão maior. Imediatamente realiza-se o bloqueio da boca e principalmente dos olhos com muita leveza. (fazer 18 ciclos)

Prática para a 4º semana (respiração reversa):

Esta é a respiração que trabalha a energia num nível mais profundo. Quando se contrai o abdomem no momento da inspiração, forma-se um impulso ascendente pelo tronco, além de uma massagem especial em todos os órgãos e vísceras ali existentes, proporcionada pelo aumento cíclico da pressão. Esse mecanismo, aliado à execução de exercícios específicos, preserva a recicla adequadamente a energia vital.

Treinamento Interno:
Em pé, com afastamento dos pés baseado na largura dos ombros e paralelos entre si, executar flexionamento dos joelhos soltando o ar, relaxando o abdomem, as plantas dos pés e os esfíncteres genitais, além de soltar os braços ao longo do corpo e abrir as mãos.
Num segundo momento, sobe-se o corpo moderadamente, de forma que os joelhos não cheguem a se esticar totalmente. Junto a isso, inspira-se, encolhendo o abdomem, as plantas dos pés e os referidos esfineteres. Os braços se erguem até o nível do diafragma com as mãos se fechando ocas por dentro, como se estivessem segurando um cabo. (começar no primeiro dia com 18 respirações, adicionando 9 vezes a cada um dos outros dias desta semana, terminando com 72 respirações no sétimo dia)

Boa sorte!!!

4 comentários:

  1. Querido Douglas,
    Obrigada por disponibilizar estas informações.
    Serão muito úteis para todos nós.

    Beijos
    Celeida

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  2. Mestre ate quem fim uma divulgação de seu maravilhoso trabalho.
    Obrigada pela oportunidade desta experiência

    bjs

    Eliane Moreira

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  3. Douglas:

    Continue divulgando o Tai Chi. Um mundo melhor agradece.

    Mey

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  4. Caro Douglas, que bom contar agora também com tantas informações teóricas, além das práticas.
    Seu blog está muito bom, muito rico e com certeza estaremos ainda mais "afinadas" com este mundo ilimitado do Tai-chi.
    Bjs,Margit

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